falandobem_oficial no Instagram escreveu uma resenha sobre o livro Antes que Deus me esqueça de Alex Andrade:
Onde nascem as violências urbanas
📖 Antes que Deus me esqueça
Filho de um estupro, que ocasionou a expulsão de sua mãe de casa, Joaquim de Jesus, que recebeu o apelido de Joca, nasce marcado pela violência e pelo abandono.
Narrando sua história de dentro de um presidio onde cumpre pena devido a diversas contravenções, ele relembra a sua infância vivida em um bordel que foi onde mãe e filho encontraram abrigo, e onde o pequeno Joca, em sua incessante busca pelo pai, tentava encontrar em cada homem que frenquentava o bordel a figura paterna que não teve a chance de conhecer.
Já adulto, morando no bairro do Encantado, subúrbio do Rio de Janeiro, se vê mergulhado no submundo do jogo do bicho, máquinas de apostas, álcool e contravenções.
Joca é um personagem moldado pela dor desde o nascimento. Filho de uma violência, Joca é o retrato cru de uma existência à margem.
A infância vivida no bordel é cercada por figuras que substituem o afeto por sobrevivência e já anuncia o destino de quem aprende cedo que o amor é sempre condicionado. A busca pelo pai, que se confunde com a busca por identidade, é o motor de uma trajetória trágica e circular.
Há algo profundamente humano nesse personagem criado pelo autor Alex Andrade, que, mesmo tomado pelos vícios e contravenções, tenta entender o que o levou até ali.
A violência que o gerou parece acompanhá-lo como uma herança inevitável, e o presídio, de onde ele conta tudo, funciona mais como espelho do mundo que o formou, do que uma punição.
Antes que Deus me esqueça é um livro explícito em muitos momentos, o autor não suaviza o que narra, mas, em meio à brutalidade da história, faz surgir uma escrita poética que é marca de suas obras.

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