terça-feira, 12 de novembro de 2024

RESENHA "MEU NOME É LAURA" Por Marco Antônio Martire A tarefa é somente aceitar e Pedro consegue. Tudo o que ele faz desde o nascimento de Pedrinho é proteger a criança. Porque não é uma questão de escolha, seu filho apenas é. Se torna Laura na vida adulta, ao fim de um grande processo de entendimento e transformação. Esse é o tema deste romance de Alex Andrade, Meu nome é Laura, 252 páginas, lançado este ano de 2024, pela Confraria do Vento. É a saga, por que não dizer saga? (ninguém deveria ser obrigado a passar por essas dores tão jovem), de Pedrinho, que desejando viver, passa a se chamar Laura. Assume sua identidade de gênero graças a ele mesmo, mas também ao pai que o apóia. Aqui o autor usa a suspensão de descrença para nos fazer acreditar que esse apoio não surge da mãe, o que é mais comum. De fato, a mãe Heloísa neste romance não protege, é uma mulher que, rendida ao preconceito religioso, reprime a identidade de Pedrinho. Além da mãe, toda a família, não só materna quanto paterna. É um círculo familiar de preconceito e repressão. Cabe a pai e filho rejeitá-lo, com a sabedoria das boas escolhas. Afinal, Laura precisará se superar para ser o que é. Enfrentará inclusive a prostituição. Sua história poderia ser mais feliz se a sociedade atuasse como Pedro, o pai: apoio incondicional desde sempre. Mesmo após o advento de um acontecimento trágico em sua vida. Fica a mensagem: perceber e proteger o lugar de crianças como ela em nossa sociedade ajudaria e muito.


 

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