O jornalista e crítico literário Alysson Oliveira escreveu sobre o livro Meu nome é Laura: Meu nome é Laura de Alex Andrade, não é um livro simples. Ele, como sua personagem-central, se revela aos poucos. É preciso um trabalho narrativo que atravessa gerações e transformações para que Laura possa, finalmente, na 3a parte dominar a narrativa. Começa ela: “Tem uma voz que fala comigo nas horas em que me desencontro. É a voz de uma mulher. E de vez em quando ela grita.” O livro começa com Pedro, o pai, falando sobre sua própria vida, e decreta: “Durante toda a vida, esperei eu mesmo que pudesse crescer e fazer tudo ao contrário do que aprendi.” Filho de um pai abusivo, sua própria personalidade é marcada por isso e pela ausência desse pai, um pescador alcoólatra. A vida de Pedrinho, seu filho, não é tão diferente. Sua casa é pouco acolhedora, e ele sofre com a rejeição, especialmente de sua mãe, Heloísa, dona de uma visão de mundo conservadora que não consegue aceitar que o filho é, na verdade, uma mulher trans. Por outro lado, Pedro tenta romper com a tradição de abusos e incompreensão, esforçando-se para estar com sua filha, Laura, e a amar independente de qualquer coisa. Andrade traça essa jornada por perspectiva múltiplas, e investiga como a acumulação de abusos e opressões no ambiente familiar não só reproduzem a sociedade como se tornam uma constante de geração em geração, e é preciso quebrar essa tradição de forma sensível e empática. Identidade, um tema tão em voga, é uma questão central aqui, e como ela é uma somatória de vários elementos. Como mostra o romance, somos resultado de uma construção social, marcada pelas escolhas individuais, mas não apenas. Somos frutos de nosso tempo, que permite e sufoca pulsões. Mas há, também, pessoas corajosas em busca de moldar seu próprio destino são aquelas que sedimentam o chão de possibilidades para uma sociedade melhor. Meu nome é Laura
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